Briefing: Um balde de água fria?

Boudou passou por alguns entreveros recentemente

Boudou passou por alguns entreveros recentemente

As últimas semanas vieram com novidades positivas para o governo argentino, mas também com uma situação complicada.

O jovem Ministro da Economia Axel Kicillof mais uma vez mostrou a que veio. Substituindo o polêmico Guillermo Moreno (que nem era Ministro, mas que definitivamente estava à frente da política econômica do governo Cristina Kirchner), ele vem impulsando uma série de iniciativas mais ortodoxas para “normalizar” a situação da Argentina e fazer as pazes (talvez, tentar uma aproximação) com os mercados. Se o antecessor havia criado medidas de restrição para a compra de dólares, além de manter com uma dose considerável de histrionismo um discurso contra o pagamento da dívida externa, Kicillof tem flexibilizado o regime de câmbio, fechou um acordo com a Repsol no valor de USD 5 bi pela nacionalização da YPF e, agora, foi a vez de acertar as contas com o Clube de Paris.

Celebrado pelo governo como um acordo que respeita a soberania nacional já que não será avalizado pelo FMI, suas vantagem têm sido contestadas por membros mais virulentos da oposição e da imprensa, além de setores mais radicais da militância e sindicatos. De todos os modos, a classe média porteña respira um pouco aliviada. Para muitos daqueles que o-d-e-i-a-m a Cristina, seja porque é louca, feia, prolixa ou por qualquer outro motivo, a percepção anterior era de que a Presidenta iria até o fim para deixar a bomba explodir na mão do sucessor depois de 2015, fosse quem fosse. As novas manobras do governo, portanto, acalmaram um pouco essa expectativa.

O governo afirma que, ao obter de volta o acesso ao crédito internacional, poderá realizar os necessários investimentos em infra-estrutura que o país precisa. Esse reposicionamento tem sido encarado com desconfiança, quando nunca por aqueles que acusam a Presidenta e sua equipe de trair o programa “nacional e popular”, cujo eixo paradigmático incluía o repúdio aos tradicionais credores internacionais, como FMI e Clube de Paris.

No front diplomático, as autoridades receberam, com entusiasmo, o convite para participar da próxima Cúpula dos BRICS em Fortaleza logo depois da Copa e o apoio de basicamente todo mundo na Assembleia Geral da OEA pelo histórico reclamo contra a ocupação das Ilhas Malvinas (menos dos EUA e Canadá, é óbvio). Embora alguns analistas tenham minimizado o segundo feito, uma vez que o país já tinha o apoio desses países na causa, é importante lembrar que cada declaração dessa natureza reforça o caminho elegido por este governo, a solução pacífica, para, ao menos, reiniciar as negociações com o Reino Unido.

Junto com essa vitória argentina na OEA, o convite a Cuba para participar da próxima Cúpula das Américas no Panamá ano que vem, revelou o isolamento do Canadá e dos Estados Unidos no organismo hemisférico.

Já no campo das esperanças, não é que a Argentina pode vir a se tornar no novo eldorado do petróleo e do gás no continente? O Presidente da YPF Miguel Galuccio aparece dia sim, dia também pra anunciar seja uma nova descoberta da estatal, seja uma joint-venture bilhardária com alguma major do ramo.

Tudo muito bom, tudo muito bem… mas parece que o Vice-Presidente Amado Boudou está se enrolando. Chamado a depor por um juiz federal, diz que está tranquilo por poder provar a sua inocência. Mas a verdade é que não está convencendo muito e é um baita incentivo para aqueles que acusam o governo de ser o mais corrupto de todos os tempos.

Boudou é acusado de usar a sua influência na venda da gráfica Ciccone, que é responsável pela impressão das notas de Peso Argentino, e na assinatura de contratos dessa empresa com o governo e o partido oficialista.

O deputado Miguel Bazze, do partido opositor UCR, me contou que Boudou deveria renunciar porque, como na Argentina o vice também é investido constitucionalmente com a presidência do Senado, ele tem muito poder para influenciar no caso. O radicalista afirmou que Boudou foi responsável pelo afastamento de um juiz federal logo quando apareceram as primeiras acusações.

Esse caso e a divulgação de um novo índice da UCA revelando o aumento da pobreza na Grande Buenos Aires abalaram um pouco a sequência de boas notícias, mas nada parecido com o início do ano, quando a cotação do dólar e a inflação pareciam estar fora de controle. Semana que vem as atenções vão se dividir entre as notícias diárias do Vice-Presidente e o início da Copa.

Obviamente, no mundo das fofocas do star-system local, o circo continua sendo televisionado com uma baixaria atrás da outra. A semana teve acusações de práticas de magia negra, de alpinismo social, declarações da ex do Maradona, chororô de uma egressa do rehab e por aí vai. Mas sem um pouco de sangue, suor e lágrimas, não seria BsAs, né?

Até semana que vem!

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