Briefing: Idas e Vindas

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A cara da tranquilidade: CFK lança programa de incentivo à indústria automotiva enquanto governo corre contra o relógio na causa dos fundos abutres

A semana começou com a bomba: a Suprema Corte estadunidense rejeitou a apelação da Argentina no caso dos fundos abutres. Com a decisão, o país se vê forçado a pagar 1,3 bilhões de dólares aos fundos abutres de uma só vez. Caso contrário, não poderá pagar aos credores que aderiram à renegociação de 2005 e 2010 e correrá o risco de ter bens públicos desprotegidos pela imunidade diplomática confiscados no exterior.

A dor de cabeça maior, entretanto, é a cláusula contida nos bônus renegociados em que um credor não pode contar com condições mais favoráveis que os outros. Dessa maneira, aqueles credores que entraram nos esquemas de renegociação poderão entrar na justiça e, com um procedimento bastante simples, reclamar valores proporcionais ao que será pago aos fundos abutres. Assim, o rombo nas reservas argentinas passaria a 15 bilhões de dólares.

Depois de declarações desencontradas no início da semana, em que representantes do governo primeiro acenaram com a possibilidade de transferir os títulos renegociados à jurisdição e, simplesmente, ignorar o que a presidenta chamou de “extorsão”, o discurso de CFK na comemoração do Dia da Bandeira na sexta-feira buscou acalmar os ânimos. “Queremos condições para negociar”, afirmou a mandatária.

Com um discurso mais conciliador, o Ministro da Economia Axel Kicillof confirmou que o país está em conversações com o juiz Thomas Griesa para que ele suspenda a medida da sentença (“stay”). De acordo com o ministro, a Argentina poderá assim abrir um diálogo com os fundos abutres em condições “equitativas, justas e legais”.

O mercado respondeu imediatamente à disposição do país para evitar o default. A bolsa de valores porteña abriu com alta de mais de 6% enquanto o mercado de câmbio registrava uma queda de 0,70 na cotação extra-oficial (o chamado dollar blue).

Os chamados fundos abutres, entretanto, não parecem estar para conversa e já pediram informações sobre os ativos da empresa YPF, empresa recém reestatizada de petróleo (equivalente à Petrobras na Argentina). No domingo, o presidente uruguaio Pepe Mujica já havia antecipado que o caso dos fundos abutres “tem relação com com Vaca Muerta”.

Enquanto governo tenta mostrar segurança e pede tranquilidade à população, a Presidenta lançou um programa para incentivar a venda de carros novos produzidos localmente, o chamado Pro.Cre.Auto. No total, são 18 modelos e 26 versões que terão o valor reduzido entre 3 e 13% e que poderá ser financiado pelo Banco de la Nación a taxas anuais de cerca de 18% (considerando a taxa de inflação, trata-se de um baita negócio).

CFK informou que o programa, junto com o recente acordo automotriz renovado com o Brasil, “permitirá recuperar a produção de carros”, que nos últimos doze meses já caiu 22%. De fato, os representantes do setor no país estimam que as vendas irão superar a marca de 700 mil unidades ao reativar o mercado interno e o setor de autopeças.

 

 

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