Mitos e realidades sobre os preços na Argentina

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Quando a gente se planeja pra vir à Buenos Aires, todo mundo tem alguma coisa pra dizer: o Señor Tango é lindo, o Réveillon é super animado, La Cabrera tem a melhor carne da cidade, está caríssimo ou já não é barato como antes, por aí vai.

De acordo com a autoridade porteña de turismo, só entre janeiro e fevereiro deste ano foram quase 100 mil turistas brasileiros. Esse enorme influxo de gente faz com que todos nós tenhamos ao menos um parente, amigo ou colega de trabalho para dar uma dica imperdível. Mas cuidado! O Señor Tango pode até ter suas qualidades, mas, na minha modesta opinião, é cafona pra caramba; o Réveillon aqui é um marasmo só; e La Cabrera tem um custo-benefício bastante discutível.

De todos os modos, discutível mesmo é o tema dos preços e da inflação. Obviamente esse tema é bastante concreto para a população, que muitas vezes não teve o salário corrigido de acordo com os índices reais; mas para os turistas essa história é diferente porque a deterioração do peso argentino se refletiu em sua cotação frente à moeda brasileira.

Afinal, Buenos Aires está mais cara ou mais barata para o turista brasileiro que há um ano atrás?

Trocando em miúdos, se R$ 1 valia AR$ 3,22 em julho do ano passado, hoje vale R$ 4,88, ou seja, uma variação de praticamente 51%. Comparado aos índices de inflação, a conta fecha de maneira favorável para os turistas brasileiros, já que mesmo os índices não-oficiais registraram no máximo 30% em um ano. E não estou nem considerando que houve algo de inflação também no Brasil!

É preciso reconhecer, entretanto, que os cálculos acima são muito abstratos e podem simplesmente não refletir com exatidão a realidade.

Em primeiro lugar, não existe índice de inflação totalmente confiável neste país. O governo diz que os preços subiram X, uma comissão do Congresso diz que subiram Y e consultorias privadas dizem que subiram Z.

De certa forma, isso também vale para a cotação do câmbio, já que existe a cotação oficial, negociada apenas em bancos e casas de câmbio institucionais; e a chamada cotação blue, negociada no mercado negro (em cada esquina do Microcentro ou casas de câmbio ilegais, as cuevas). Hoje, por exemplo, o dólar oficial está em cerca de AR$ 8 enquanto o blue está batendo a casa dos AR$ 12.

Em segundo lugar, de um modo geral, os índices de inflação pouco dizem quando falamos de um tema em específico, como, por exemplo, os gastos de um turista. Englobando uma cesta de produtos e serviços muito mais ampla, pode ser que justamente aqueles mais consumidos por turistas tenham subido muito mais ou muito menos.

Dessa forma, resta a prova dos nove: comparar alguns preços daqui que tenham equivalência no Brasil, como um café no Starbucks, uma cerveja num bar bacana, uma passagem de transporte público, uma calça jeans de marca famosa, um jantar com bebidas incluídas ou mesmo uma entrada no museu. Tipo o famoso índice BigMac da The Economist, só que um pouco mais abrangente.

Então, vamos lá! Segue uma lista de dez preços que eu selecionei aleatoriamente. Se você, querido leitor, tiver uma ideia para tornar essa lista mais completa, mande uma mensagem, escreva um comentário e eu prometo ampliar o espectro.

Os valores estão expressos em reais, partindo da chamada cotação blue que, no final das contas, é a que importa (se você não fizer gastos no cartão de crédito – opção, por sinal, pouquíssimo recomendável).

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Como se pode ver na tabela acima, na comparação, os preços no Rio são em torno de 50% mais caros que em Buenos Aires. É preciso estudar se isso é devido ao exorbitante custo de vida na cidade maravilhosa ou se o câmbio tem realmente nos favorecido, mas isso já é tema de tese doutoral!

De qualquer maneira, é interessante por comprovar algumas dos fatos que eu já sabia pela vivência, como os preços um pouco mais salgados para jantar e beber na night; mas isso pode ser compensado na hora do almoço se você optar por um menu, mesmo num restaurante caro. Uma refeição com entrada, prato principal, bebida e gorjeta incluída no charmoso sushi Little Rose em Palermo, por exemplo, fica em torno de R$ 30,00. Ainda assim, se o objetivo não for encher a cara, dá pra se divertir com pouco nas loucas noites da capital porteña, já que a entrada para um clube, que inclui em geral uma bebida, não sai por mais de R$ 25,00.

Tampouco, chegamos ao ambicioso índice do site expatistan.com que indica que viver no Rio de Janeiro é 80% mais caro do que viver em Buenos Aires. Ou talvez seja verdade. Para você ter uma ideia, o aluguel de um quarto-e-sala de temporada no bairro de Almagro (visualize Botafogo) com todas as despesas incluídas fica em torno de R$ 1.800,00 por mês.

Portanto, quando escutar por aí que Buenos Aires está caríssimo atualmente, desconfie. Visitar essa cidade incrível que fica tão pertinho da gente (veja o vídeo abaixo), ainda é uma grata pechincha.

OBS: Vale considerar uma observação da jornalista amiga Fernanda Dutra, que escreve para o caderno Boa Viagem de O Globo:

Hoje é praticamente impossível viajar sem pagar o IOF (em torno de 8%), a não ser que o viajante opte pela opção nada segura de colocar toda a sua grana na doleira. Isso pode até ser possível para um mochileiro, mas bastante inviável para uma família em viagem mais longa.

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