Briefing: Brasil, decíme que se siente

Levaram o Cristo Redentor para o Obelisco

Levaram o Cristo Redentor para o Obelisco

A rivalidade entre Argentina e Brasil ganhou um novo fôlego esses últimos dias em que a nossa seleção amargou uma das piores derrotas de todos os tempos e que a deles, depois de mais de duas décadas, chegou à final, com uma equipe coesa e cheia de garra.

Apesar de que essa rivalidade já tivesse dados às caras desde que os hinchas argentinos chegaram às cidades brasileiras com um hit especialmente feito para nós, ela foi ganhando fôlego conforme foram sendo divulgadas aqui imagens de torcedores brasileiros dando uma força para seus rivais, como no jogo contra a Suíça. Adicione-se a isso a capa do jornal Lance, também amplamente divulgada, em que se diz que somos “alemães desde criancinha” e, pronto! A rivalidade ganhou contornos mais explícitos.

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Ontem, a primeira parte do popular programa Showmatch do apresentador Marcelo Tinelli foi quase exclusivamente dedicada a ironizar a derrota brasileira e a sugerir que seria impossível que houvessem tantos holandeses na Arena Corinthians. “Eram brasileiros vestidos com a camisa laranja!”, dizia às gargalhadas.

Numa interessante análise sobre a rivalidade entre os dois países, a jornalista Márcia Carmo relatou a perplexidade dos argentinos com a torcida contra de alguns brasileiros.

O sorriso que surgia só por estar diante de um brasileiro agora parece ter sido substituído por um certo incômodo, com as histórias de brasileiros torcendo contra a Argentina, ainda mais agora depois de o Brasil ter sido eliminado da Copa.

Para ela, que vive em Buenos Aires há quase dez anos, antes dessa Copa do Mundo qualquer sorte de rivalidade estava completamente descartada. A imagem do Brasil aqui era de “um paraíso”, habitado por “pessoas de bem com a vida”.

De fato, minha menos extensa experiência na Argentina tem confirmado a tese dela. Aqui, somos percebidos não só com muita simpatia, mas também com admiração. Já ouvi mais de uma vez que queriam Lula para presidente da Argentina e não raramente me deixaram transparecer uma visão exagerada dos sucessos econômicos brasileiros na última década.

É óbvio que em algum momento sempre apareceu a comparação de Maradona com o Pelé, mas isso em nada se sobrepunha ao desejos dos hermanos de nos visitar, escutar a nossa música e consumir as nossas novelas: “Avenida Brasil” aqui teve o capítulo final exibido em evento de gala no Luna Park, uma das maiores casas de show na capital porteña.

Talvez seria melhor se divulgassem aqui a empenhada torcida carioca pela vitória argentina no Maracanã, com esperanças de que o Prefeito Eduardo Paes cumpra a promessa de se suicidar caso isso aconteça.

Será que haverá diferenças nessa rivalidade ressurgida se a Argentina ganhar ou perder? Difícil saber. Certo mesmo é que a gente ainda vai ter que ouvir muito nas musiquinhas deles uma lírica bastante rebuscada sobre o retumbante 7 x 1 da última terça-feira.

O jogo em plena quarta-feira, justamente no feriado da independência argentina, 9 de julho, abafou um pouco as outras notícias.

Na segunda-feira, o Ministro Axel Kicillof teve uma reunião com o mediador Daniel Pollack, designado pelo juíz Thomas Griesa para negociar uma solução para o caso dos fundos abutres. Não houveram muitas novidades: a Argentina afirma que quer tempo para resolver a questão sem que se prejudique o pagamento aos credores que aderiram à renegociação. Para isso, Kicillof pediu a restauração da medida cautelar (“stay“) que deixa temporariamente sem efeito a decisão de Griesa.

No paralelo front mediático, representantes dos abutres desembarcaram em Buenos Aires para informar aos meios locais, entre eles Clarín e La Nación, a sua posição no caso e os próximos passos que pretendem tomar. A reunião no luxuoso hotel Palacio Duhau Park Hyatt ocorreu depois do governo publicar no Washington Post uma matéria paga intitulada “Fatos demonstram que eles são de fato abutres”, enumerando as mentiras propagadas por lobistas em favor dos fundos.

Mas a guerra de acusações não parou aí: em audiência no Congresso Americano, os lobistas da American Task Force Argentina (ATFA), ligados aos fundos, acusaram o país de socavar protocolos de segurança animal, em clara tentativa de prejudicar a exportação de carne para os Estados Unidos.

Até semana que vem!

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