Encontrando-se em Buenos Aires

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Buenos Aires é uma das maiores cidades do mundo. Embora sua população seja menor do que a de São Paulo ou mesmo o Rio de Janeiro, a imensa “periferia”, o chamado conurbano, atrai um fluxo imenso à cidade todos os dias – isso sem falar da densidade, que aqui é o daquela encontrada na grande megalópole brasileira.

Ainda assim, as pessoas daqui não enfrentam um trânsito tão ruim quanto se poderia esperar. A cidade que tem a segunda melhor qualidade de vida da América do Sul (atrás apenas de Montevideo), consegue se resolver nesse tema com um complexo esquema de transportes públicos, ênfase nos meios alternativos, sistemas de informação bastante precisos e uma malha rodoviária surpreendentemente organizada.

Pra quem está de visita deve não dar para perceber, mas a numeração das ruas segue um padrão por quase toda a cidade, transformando a malha num imenso diagrama. As grandes avenidas que correm da altura da Casa Rosada rumo aos limites da capital, como as Avenidas de Mayo/Rivadavia, Corrientes, Santa Fé e Córdoba, ditam o tom: cada quadra representa um centenar, de modo que se você estiver no número 850, isso significa que faltam oito quadras para chegar à Plaza de Mayo.

Dessa maneira, se escuta muito por aí que tal loja é na ‘Corrientes al 4700‘ ou que o restaurante é na ‘Santa Fé al 1300“, e isso significa que esta é a quadra de que se está falando. As ruas paralelas também segue um padrão e isso facilita muito a vida de quem está pra lá e pra cá o tempo todo, pois se você deseja ir à ‘Cabrera al 3000‘ basta seguir por Córdoba vindo do centro e virar quando estiver passando por esse número.Buenos_Aires_-_Subte_-_Facultad_de_Medicina_4

Para as ruas e avenidas que cortam a cidade de leste a oeste, a numeração começa na Rivadavia e, por isso, as ruas mudam de nome quando fazem cruzamento com esta artéria.

Mas, obviamente, esse é apenas o fato curioso. Buenos Aires é prova viva do baita investimento que é o metrô para uma grande cidade. Com a primeira linha inaugurada em 1913, chamado subte segue se expandindo rumo aos limites da capital (desde que eu me mudei para cá em março de 2013, cinco estações foram inauguradas). Se recebe muitas reclamações, vez em quando dá chabú ou se, de fato, poderia ser mais abrangente, os vagões do subte levam quase dois milhões de pessoas por dia, integrando-se à também expressiva malha ferroviária convencional que diversos trechos tanto da capital quanto da zona metropolitana.

Onde não tem subte nem trem, entra o ônibus, que nos últimos anos ganhou dois corredores expressos importantes tanto na Avenida Nove de Julho (la más ancha del mundo) quanto na Juan B. Justo (o próximo virá na Cabildo, continuação da Santa Fé lá pelas bandas de Colegiales).

Pelos altos subsídios do governo, ambos meios de transportes têm uma tarifa bastante econômica, sobretudo se você fizer Tarjeta Sube, uma espécie de Bilhete Único local (saiba como). Neste momento, por exemplo, o bilhete do metrô está saindo à R$ 1, enquanto o do ônibus é até mais baratinho.400d1349268917-bicisenda-23

Entretanto, como se achar nessa trama complexa de meios de transporte público? O governo da cidade disponibiliza na internet e num aplicativo para smartphone (o ‘Como Llego‘) um software que descobre para você a melhor opção, inclusive com rotas para bicicletas e calcula o tempo que você vai melhor (a experiência me diz que o sistema ébastante preciso).

Falando em bicicleta, desde 2009 o governo daqui tem criado um montão de ciclovias, as chamadas bicisendas. Até agora, são 140 quilômetros e em Buenos Aires não é só um chão pintado, não. Protegidas dos automóveis, elas foram construídas com uma infra-estrutura bem elaborada, com bicicletarios no trajeto e locais para aluguel das magrelas públicas (se você mora por aqui, passa nos postos de atendimento com DNI e comprovante de residência). Plana e com clima ameno em boa parte do ano, descobrir Buenos Aires de cima de uma bicicleta é uma delícia.

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