Os Melhores Hambúrgueres de Buenos Aires

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Enquanto escrevia à exaustão sobre a morte do tal Nisman, entrevistava pessoas, fazia matérias, via programas de televisão, lia sobre ele no jornal e até num livro (!), deixei transparecer meio que de brincadeira aqui minha vontade de escrever uma matéria do tipo “melhor hambúrguer da cidade” pra variar um pouco. E não é que, no meio daquela loucura, ficou complicado mesmo cozinhar em casa e eu virei, junto com meu parceiro no crime, o maior consumidor de fast food/delivery da cidade de Buenos Aires?

Agora eu tenho material para escrever sobre quase todo o tipo de porcaria que se come por essas bandas do mundo, incluindo pizzas, choripanes, milanesas à napolitana, sorvetes, mais uma porção de iguarias estranhas & cools do Palermo Hollywood e, como não?, essa maravilha calórica que é o hambúrguer.

É interessante notar que, ainda que não se trate de uma cidade com tradição nessa obra de arte do junk, como Nova York ou São Paulo, Buenos Aires larga na frente por uma questão fundamental no reino dos hambúrgueres: nos campos argentinos é produzida possivelmente a melhor carne do mundo, mesmo que ainda tenha um caminhozinho a percorrer na categoria pão (leia-se, brioche).

Então, vamos a eles!

Em primeiro lugar, eu gostaria de descartar algumas grandes decepções bastante à mão de quem esteja passeando por aquela floresta cheia de armadilhas, que é Palermo Soho. (((Turistas, atenção! Nenhum outro lugar em toda Buenos Aires tem tantos lugares bonitinhos, caríssimos e com comida medíocre))) Nesse quesito, esqueça o Muu Lecheria e, especialmente, o Indiana.

Indiana: bonitinho, mas ordinário

Indiana: bonitinho, mas ordinário

Na Muu, quando meu prato vinha chegando, minha cabeça pirava: “que não seja a minha, que seja a versão infantil, que esteja indo para outra mesa, por favor!, que não seja a minha!!!!”. E, não deu outra, o muchacho o colocou na minha frente. E, em se tratando de hambúrguer, tudo pode estar perfeito (carne no ponto certo, queijo de boa qualidade, molho saboroso, pão macio), mas se não proporcionar aquela ogra sensação de agarrá-lo com as duas mãos e dentá-lo, sujando os cantinhos laterais da boca, não é o suficiente. Caso eu fizesse isso com o hambúrguer da Muu, seria a única mordida – e o preço não permite repeteco.

Pelo menos as outras coisas desse lugar ainda dão um caldo. Desastre completo mesmo é o Indiana. Decorado bem nos conformes com aquele estilão diner yankee, o lugar serve um hambúrguer medíocre e um bufallo wings que parecer ter sido pescado de uma canja empapado de molho. O atendimento, na melhor das hipóteses é displicente. Saí sem deixar propina.

A situação desses dois lugares seria um pouco melhor se não houvesse opção na região, mas a verdade é que dois quarteirões dali está provavelmente o melhor custo-benefício de toda Buenos Aires: o magnífico Burger Joint. A iguaria servida lá, você pode visualizar na foto que coroa o post: vem junto com batatas fritas absolutamente crocantes e, se optar por uma das promoções, com um chopp artesanal corretíssimo.

Burger Joint, o campeão

Burger Joint, o campeão

São umas cinco opções, das quais as minhas favoritas são o Mexicain (com guacamole e jalapeños quentíssimos) e o Americain (com bacon), que lhe concederam o título de um dos melhores burger outlets do planeta por uma revista gringa dessas, ainda que o pão pudesse ser um pouco melhor. Exagero ou não, a ambientação e a música ajudam na boa impressão, que finalmente vai às alturas com o preço bastante honesto numa vizinhança pouco conhecida por pechinchas. Por apenas 80 pesos (preço de fevereiro/2015), você leva um combo de hambúrguer, fritas e cerveja – mais barato que o McDonald’s!

Ainda em Palermo, existem algumas alternativas OK, como o Trixie’s e o Dean & Denny’s… Mas, por que, né?

A mesma pergunta se poderia fazer sobre o Hard Rock Café e o Friday’s, duas opções dignas, mas sem muita personalidade (original) que acabam pecando pelos preços salgados. Ao invés de ir no HRC ali do lado do cemitério da Recoleta, por exemplo, vale muito à pena caminhar um pouquinho até o simpático Be Frika, na mais simpática ainda esquina das ruas Junín e French. A proposta é meio pretensiosa (aparentemente, Be Frika é como se chamavam os hambúrgueres antigamente na Bélgica), mas o resultado é ótimo e o preço bastante honesto. Aqui, embora não haja aquele clima de badalação do Burger Joint, eles capricharam no pão! Peça que não cozinhem muito a carne porque eles já passaram do ponto comigo e dê-se ao deleite de uma belíssima sobremesa não muito longe dali na melhor sorveteria de Buenos Aires, quiçá umas das melhores do mundo (!), a Rapa Nui (ainda escreverei sobre esse tema!).

Club Social, uma jóia escondida

Club Social, uma jóia escondida

Na mesma linha de pensamento, se estiver em Puerto Madero, vale a pena deixar o Friday’s de lado e pegar um taxi até o bairro vizinho de Barracas (dizem por aqui, a San Telmo do futuro) e pedir la Hamburguesa de Cordero do Club Social. Se for à noite, você ainda pode desfrutar de boa música (rola um DJ nos fins de semana e noites de jazz nas quartas) e de uns bons drinques, mas o sanduíche por si só é uma delícia – e você ainda pode pedir para vir com onion rings deliciosos (devo fazer uma menção honrosa ao sanduíche de pastrami produzido localmente que supera todas as expectativas).

Por enquanto, é isso! Prometo que da próxima vez que o Nisman der um descanso ou a Cristina não soltar uma bomba (ela tá que tá esses dias), eu volto para falar de sorvetes, milangas e outros prazeres que a capital argentina, mesmo em tempos turbulentos como os atuais, nunca falha em proporcionar.

 

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