China: a salvação da lavoura?

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Em visita ao Brasil essa semana, o primeiro-ministro chinês Li Keqiang chegou distribuindo sorrisos – e propostas. De acordo com o que vem circulando pelos corredores do Planalto, estão na mesa de negociações acordos de investimento na ordem de 50 bilhões de dólares em diversas áreas da nossa estremecida economia. Entre os projetos que podem ser contemplados com a disposição dos asiáticos está uma obra de infraestrutura que pode, literalmente, revolucionar o país e, de quebra, toda a América do Sul: uma ferrovia que ligará as costas do Atlântico (no Brasil) às do Pacífico (Perú), escancarando as portas do mercado asiático para os países do lado de cá.

Mas engana-se quem pensa que aqueles olhinhos puxados estejam virados somente para seus parceiros sul-americanos no BRICS. Há cerca de uma semana, era a vez de Cristina Kirchner receber uma delegação chinesa para, igualmente, discutir projetos ambiciosos aos sul do rio da Prata. Meses antes, ela visitava Pequim para expandir a chamada “associação estratégica” que incluirá a construção de uma central nuclear, duas hidrelétricas e um parque eólico, que tem especial importância aqui dado o déficit energético do país.

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“Ni una a menos”: a Argentina contra o feminicídio

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Chiara Páez, de 14 anos, estava na casa do namorado durante o fim de semana quando revelou a ele, também adolescente, que estava grávida. De acordo com a descrição do rapaz, eles transaram, discutiram pesado sobre ter ou não ter a criança e o desfecho, ele descreveu laconicamente:

“Eu matei ela, cavei um buraco e a enterrei”

O corpo da jovem foi encontrado numa vala improvisada já na segunda-feira. A investigação está em curso e a dúvida está em se o rapaz agiu sozinho ou não, afinal, cavar um buraco desse tamanho sozinho no quintal em pleno domingo não é uma atividade das mais discretas; e, no melhor estilo da cobertura do assassinato de Isabela Nardoni, Daniela Perez, etc., as notícias que alimentam os jornais exploram todas as possibilidades, trafegando com facilidade por revelações mais técnicas da perícia, depoimentos emocionais dos pais e das amigas, chegando até a mencionar a “bizarra coincidência” entre o caso e a letra de “Used to Love Her” dos Guns ‘n’ Roses. Nada de novo aí.

No entanto, na onda da típica comoção gerada após esse tipo de barbaridade, o caso Chiara vem suscitando um prolífico debate na sociedade argentina sobre o feminicídio. No país governado por Cristina Kirchner, uma mulher morre assassinada a cada 31 horas – em 2014, foram 277.

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Questionamentos a uma justiça velha, literalmente

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No tripé da República, seja no Brasil ou na Argentina, a Suprema Corte (com os nomes ligeiramente diferentes lá e cá) é o órgão máximo do Poder Judiciário e tem o dever de, como é de se esperar, zelar pela Constituição. Num mundo ideal, por exemplo, se o Congresso brasileiro aprovar uma medida como o já famoso Estatuto da Família, o STF provavelmente o julgará contrário aos princípios da Carta Máxima. Por esse motivo, espera-se que esse órgão tenha mais estabilidade do que, por exemplo, a Presidência ou o Congresso, pois assentado numa posição firme, seus membros estariam protegidos de pressões e poderiam decidir sobriamente, caso a caso, com base única e exclusivamente no Direito.

Nas últimas semanas, essa ‘estabilidade’ foi estendida no Brasil com a PEC da Bengala – na qual a aposentadoria compulsória dos juízes do STF passa de 70 a 75 anos de idade (o que, na prática, tira da Presidenta Dilma a faculdade de escolher 5 ministros nos seus próximos quatro anos de mandato). Isso se deu em paralelo ao imbroglio em torno do juíz Carlos Fayt que, aos 97 anos, resiste em deixar seu cargo na Suprema Corte de Justicia de la Nación na Argentina (onde não existe ‘aposentadoria compulsória’). As duas polêmicas levantaram questionamentos não só a respeito da estabilidade dos juízes no Supremo, mas também reascenderam debates acalorados sobre o menos democrático dos poderes republicanos.

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