Foi dada a largada!

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O páreo já estava mais ou menos dado faz algum tempo, mas podia ter sido embaralhado pela vontade de Cristina. Entretanto, a mandatária fez exatamente o que está escrito no manual para “ganhar” as eleições no próximo dia 25 de outubro: escolheu seu candidato mais popular, mas com um fiel escudeiro na retaguarda.

Com a aposta dos mais caxias, Florencio Randazzo, fora da parada, as regras do jogo estão mais claras e no melhor estilo Fla-Flu ou Boca-River, como você preferir, foi dado o apito inicial para a sucessão de Cristina.

Que Macri encabeçava a chapa opositora, todos já sabiam – pelo menos desde que a estrela de Sérgio Massa começou a esmorecer. Os presidenciáveis da tradicional UCR (União Cívica Radical) até tentaram se unir em torno de um candidato próprio, mas acabaram optando por associar-se com Macri, o que virtualmente lhes dará, quando muito, uma vice-presidência.

O que ainda não estava claro era qual seria a escolha de Minerva de Cristina Kirchner entre os dois potenciais candidatos de seu partido: o popular Governador Daniel Scioli da província de Buenos Aires ou seu atual Ministro do Interior Florêncio Randazzo, que fez um bom trabalho na gestão dos transportes, sobretudo ferroviários.

Por um lado, Scioli representava uma opção segura no curto prazo – pois está bem nas pesquisas e já está a frente do maior colégio eleitoral do país – mas vinha acompanhado de diversos pontos de interrogação para o longo prazo, já que nunca se apresentou como cristinista roxo e, no arco do partido Frente para a Vitória, é a opção mais liberal.

Já Randazzo era o contrário. Talhado à imagem e semelhança do Projeto Nacional & Popular de Cristina Kirchner (seja lá o que isso queira dizer), andava tímido nas pesquisas e sua indicação poderia desatar o esfacelamento do FpV, se Scioli decidisse partir para voo solo ou se aliar com algum candidato da oposição.

A disputa foi crispada (mais do lado de Randazzo – o outro permaneceu avesso à controvérsia), ao ponto do primeiro dizer que com Scioli “o projeto ficaria manco” (numa analogia no muy elegante ao fato do governador não ter parte de um braço).

E Cristina preferiu o certo antes que o duvidoso. De maneira coordenada, primeiro Scioli anunciou que Carlos Zannini seria seu candidato a vice. Conselheiro próximo de Cristina, ele seria a cota 100% fiel da chapa, o que tranquilizaria Cristina e seus seguidores (que não são poucos). Depois, saiu Aníbal Fernández para afirmar que Randazzo desistia de concorrer, o que, na prática, significa que o FpV fechou em um único candidato.

Entre as fileiras do Kirchnerismo a decisão ainda não foi bem digerida. Enquanto alguns militantes fazem questão de lembrar a importância de la conducción de Cristina (sim, existe um forte aspecto messiânico na política argentina), outros preveem uma traição ao movimento e prometem mandar a conducción al carajo (Macri deve estar orando por isso todas as noites).

Nas últimas pesquisas, Scioli aparece na frente de Macri por cerca de 10 pontos percentuais (37,6% contra 26,8%), mas até o momento tudo ainda estava no campo das ideias. Com as definições de ontem e de hoje, está oficialmente aberta a corrida para a sucessão de Cristina Kirchner.

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