♪ ♫ Dizem que sou louco… ♫♪♫

Cristina Kirchner lele

Um dos traços mais distintivos do zeitgeist argentino é uma certa egolatria napoleônica misturada um toque de quixotismo – uma tal postura desafiadora às injustiças do mundo. Cole essa características em um cenário de turbulências econômicas, polarizações políticas e líderes sem papas na língua, e pronto!

Não digo que eles sejam loucos – no atual cenário político brasileiro, qualquer um de nós que se atreva a jogar a primeira pedra imediatamente adquire um imenso telhado de vidro sobre o nosso lábaro estrelado. Mas, juntando as características que mencionei logo acima, o caldo para uma loucurinha aqui e outra acolá é tão fértil quanto as melhores terras pampeanas.

As últimas semanas foram especialmente ricas nesse sentido.

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Pizza!

PIZZERIA GUERRIN FOTO JUANO TESONE

PIZZERIA GUERRIN
FOTO JUANO TESONE

Continuando a saga iniciada com os hambúrgueres, escrevo um post sobre a minha (também vasta) experiência com as pizzarias de Buenos Aires – um dia chegaremos às milanesas. O encadeamento lógico das grandes pizzas que se podem encontrar na cidade deve também estar relacionado com aquele blá-blá-blá da imigração italiana, etc e tal. Mas de acordo com a minha vivência personal, a resposta seguramente iria pelo seguinte caminho: intensa vida noturna, bebedeiras homéricas, ressacas hercúleas… em que mais dá?

Os critérios usados nessa humilde crítica são sumamente subjetivos. Aqui importará mais a suculência do queijo esticando entre a boca e a fatia e a massa apenas suficientemente massuda do que os ingredientes de origem e similares babaquices. Se tiver uma boa fainá, ponto para a candidata à melhor pizza de Buenos Aires. Não conhece a fainá? Sabe de nada, inocente…

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O Roteiro de Uma Boa Causa

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Ontem a Argentina acordou como se tivesse se preparando para uma festa. Nos telejornais e programas de debate à tarde, só se falava do tal evento – o fenômeno ‘Ni Una Menos’ -, mas era nas redes sociais que o negócio explodia. Milhares de hashtags, fotos de adesão; muitos comentários, uns de apoio total ou com alguma ressalva, mas todos com um clima de “Eu vou!” que, no Brasil, é muito comum na época do Rock in Rio ou Lollapalooza.

De pensar que esse burburinho (salutar sobre qualquer ponto de vista) começou naquela horripilante história da menina grávida assassinada pelo namorado!, porque, se num primeiro momento parecia que estávamos diante de mais um material sangrento para alimentar o fugaz sensacionalismo dos tabloides, é admirável observar que ganhou vulto de verdade no país na medida em que se despersonalizou. Ou seja, depois de três semanas, a bela e sinistra imagem de Chiara foi se multiplicando no rosto de tantas jovens vítimas de crime de ódio e gerando um debate sobre o tema maior que é o feminicídio. É interessante percorrer esse caminho.

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China: a salvação da lavoura?

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Em visita ao Brasil essa semana, o primeiro-ministro chinês Li Keqiang chegou distribuindo sorrisos – e propostas. De acordo com o que vem circulando pelos corredores do Planalto, estão na mesa de negociações acordos de investimento na ordem de 50 bilhões de dólares em diversas áreas da nossa estremecida economia. Entre os projetos que podem ser contemplados com a disposição dos asiáticos está uma obra de infraestrutura que pode, literalmente, revolucionar o país e, de quebra, toda a América do Sul: uma ferrovia que ligará as costas do Atlântico (no Brasil) às do Pacífico (Perú), escancarando as portas do mercado asiático para os países do lado de cá.

Mas engana-se quem pensa que aqueles olhinhos puxados estejam virados somente para seus parceiros sul-americanos no BRICS. Há cerca de uma semana, era a vez de Cristina Kirchner receber uma delegação chinesa para, igualmente, discutir projetos ambiciosos aos sul do rio da Prata. Meses antes, ela visitava Pequim para expandir a chamada “associação estratégica” que incluirá a construção de uma central nuclear, duas hidrelétricas e um parque eólico, que tem especial importância aqui dado o déficit energético do país.

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“Ni una a menos”: a Argentina contra o feminicídio

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Chiara Páez, de 14 anos, estava na casa do namorado durante o fim de semana quando revelou a ele, também adolescente, que estava grávida. De acordo com a descrição do rapaz, eles transaram, discutiram pesado sobre ter ou não ter a criança e o desfecho, ele descreveu laconicamente:

“Eu matei ela, cavei um buraco e a enterrei”

O corpo da jovem foi encontrado numa vala improvisada já na segunda-feira. A investigação está em curso e a dúvida está em se o rapaz agiu sozinho ou não, afinal, cavar um buraco desse tamanho sozinho no quintal em pleno domingo não é uma atividade das mais discretas; e, no melhor estilo da cobertura do assassinato de Isabela Nardoni, Daniela Perez, etc., as notícias que alimentam os jornais exploram todas as possibilidades, trafegando com facilidade por revelações mais técnicas da perícia, depoimentos emocionais dos pais e das amigas, chegando até a mencionar a “bizarra coincidência” entre o caso e a letra de “Used to Love Her” dos Guns ‘n’ Roses. Nada de novo aí.

No entanto, na onda da típica comoção gerada após esse tipo de barbaridade, o caso Chiara vem suscitando um prolífico debate na sociedade argentina sobre o feminicídio. No país governado por Cristina Kirchner, uma mulher morre assassinada a cada 31 horas – em 2014, foram 277.

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Questionamentos a uma justiça velha, literalmente

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No tripé da República, seja no Brasil ou na Argentina, a Suprema Corte (com os nomes ligeiramente diferentes lá e cá) é o órgão máximo do Poder Judiciário e tem o dever de, como é de se esperar, zelar pela Constituição. Num mundo ideal, por exemplo, se o Congresso brasileiro aprovar uma medida como o já famoso Estatuto da Família, o STF provavelmente o julgará contrário aos princípios da Carta Máxima. Por esse motivo, espera-se que esse órgão tenha mais estabilidade do que, por exemplo, a Presidência ou o Congresso, pois assentado numa posição firme, seus membros estariam protegidos de pressões e poderiam decidir sobriamente, caso a caso, com base única e exclusivamente no Direito.

Nas últimas semanas, essa ‘estabilidade’ foi estendida no Brasil com a PEC da Bengala – na qual a aposentadoria compulsória dos juízes do STF passa de 70 a 75 anos de idade (o que, na prática, tira da Presidenta Dilma a faculdade de escolher 5 ministros nos seus próximos quatro anos de mandato). Isso se deu em paralelo ao imbroglio em torno do juíz Carlos Fayt que, aos 97 anos, resiste em deixar seu cargo na Suprema Corte de Justicia de la Nación na Argentina (onde não existe ‘aposentadoria compulsória’). As duas polêmicas levantaram questionamentos não só a respeito da estabilidade dos juízes no Supremo, mas também reascenderam debates acalorados sobre o menos democrático dos poderes republicanos.

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A Argentinização do Brasil

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Ontem (13) no Brasil foi dia de manifestações de apoio ao governo de Dilma Rousseff. Debilitado por uma chuva de denúncias, por uma economia trôpega e, ainda, por uma dificuldade de comunicar-se (ao menos, com uma determinada parcela da população), o PT logrou levar um número X de pessoas a pontos-chave de diversas capitais do país para reagir à imolação do Judas que vem sofrendo pelo menos desde a posse da Presidenta.

Na redes sociais, a hashtag #Dia13DiadeLuta vinha acompanhada de imagens de uma onda vermelha entusiasmada e confiante. O perfil de Alexandre Padilha, candidato petista derrotado ao governo de São Paulo na eleições de 2015, falava de pelo menos 50 mil pessoas na Avenida Paulista; mas sugeria que o número poderia chegar até a casa dos 100 mil. No Rio de Janeiro, a imagem da emblemática Cinelândia lotada também dava conta de asseverar: o ato foi um verdadeiro sucesso!

Entretanto, não se tratou de uma interpretação unânime. Para o jornal O Globo, foram mil pessoas no Rio, 12 mil em São Paulo – ao redor de 33 mil em 24 capitais. Ou seja, uma média de 24 estádios vazios no país inteiro em que, de acordo com a Folha, se defendeu Dilma e se criticou o governo (?!). Essas manchetes vieram acompanhadas de dados contundentes sobre o que virá amanhã (15), quando será a vez dos insatisfeitos: 15 mil policiais serão recrutados, a estrela máxima do pop nacional Wanessa Camargo cantará o hino nacional, possivelmente acompanhada do craque Ronaldinho Fenômeno. Se tudo der certo, o #15deMarco será uma versão elevada à potência do “surpreendente” panelaço do domingo passado.

Sim, estamos falando do mesmo panelaço que, de acordo com alguns blogs afins do governo, só foi escutado no créme-de-la-créme da alta sociedade paulista e carioca.

Se você fizer uma retrospectiva dos posts desse Passa em Buenos Aires em que cobri a situação política da Argentina, verá que em diversos momentos demonstrei o meu desconcerto pelas duas versões de país diametralmente opostas apresentadas de um lado pela dupla dinâmica Clarín e La Nación e, de outro, pela Telam (agência oficial de notícias), Página/12 e mais uma tropa de anões obstinados.

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Dois anos de buenísima onda em BsAs

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Em algum momento no ano de 2012, eu senti que alguma coisa tinha que mudar na minha vida. Depois de algum tempo meio sem saber por onde começar, fiz duas curtas viagens a Buenos Aires – uma sozinho e outra com a minha família – e, na última, já cheguei com segundas intenções.

Numa manhã fria e chuvosa de agosto, enquanto todos ainda estavam dormindo, escapuli daquele charmoso hotel em Palermo para uma entrevista na Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales, a FLACSO. A brecha na rotina turística, que incluiu me juntar à massa de trabalhadores se espremendo no metrô da linha D e mesmo o cafézinho com medialunas antes de que chegasse a hora da entrevista, foi a minha primeira experiência “cotidiana” em Buenos Aires. E deve ter sido boa, pois, no retorno ao Brasil, foram quase seis meses de preparações, elaboração da candidatura para o mestrado em Relações Internacionais, da papelada no Consulado argentino e música, muita música.

Como para ir me transportando aos poucos, criei todo um repertório de cantores(as) e bandas argentinas para embalar os meus vislumbres daqueles dois anos fora que viriam pela frente. Primeiro ressuscitei Kevin Johansen, que havia conhecido na minha primeira viagem ao país, e depois fui descobrindo outros como Él Mató A Un Policia Motorizado, No Te Va Gustar e Bersuit Vergabarabat.

Foi da canção “Hecho en Buenos Aires” desse último que eu tirei as três palavras que ilustram o post – e que figurou na minha geladeira por algum tempo depois que eu cheguei aqui.

Aquele trio de adjetivos haviam se tornado um mission statement mais poderoso do que “obter um certificado”, “melhorar o espanhol” ou qualquer dessas coisas mundanas, porque esses momentos de mudanças radicais – sair do meu amado Rio, da minha amada língua, de perto da minha amada família e dos meus amados amigos – suscitam essa sorte de furor messiânico. Nesse contexto, chegar no aeroporto de Ezeiza, ouvir o barulho do carimbo, tomar o transfer que a mamãe havia reservado e conhecer aquele apartamento em Almagro que seria a minha casa dali por diante foram se envolvendo de algo místico e heróico que, naturalmente, beirava o ridículo. Afinal, não é que eu estivesse desembarcando na China.

Pois esse algo místico e heróico foi logo se desmontando quando tive que incorrer em atividades um pouco inglórias como correr atrás de um chip para o meu celular e encontrar um supermercado para comprar pelo menos o básico. Tudo muito complicado, pois eu literalmente nunca havia pisado naquele bairro e descobri-lo sozinho me fazia lembrar aqueles tempos em que eu bancava aventuras de mochileiro solitário.

Dessa memórias (eu caminhando pelas ruas de Dublin ou Glasgow sem nem saber onde queria chegar), o que mais me deixava ansioso era mesmo a solidão: aquele silêncio no apartamento, quebrado tão-somente por aquelas músicas de antes (a trilha sonora aplicada ao filme), ressentia a presença de todos aqueles amigos e amantes que eu havia vislumbrado no pacote.

Uma bobeira. Logo nas duas primeiras semanas, conheci quase todas as pessoas que hoje fazem parte do meu mundo porteño. Leonardo, meu parceiro de confissões altamente indiscretas, que me apresentou Gabriela, aquela maravilhosa veterana no métier. Germán, que me levaria para experimentar os melhores sorvetes da cidade. Marcela, uma antiga companheira de trabalho que até hoje aparece e some como o Mestre dos Magos. A turma da faculdade com tantas presenças estelares. Vera, minha fonte de informação primária sobre tudo o que é a Argentina. Ana, minha lésbica petista local. E o meu amor Alejandro, já no final da primeira semana: moramos juntos desde então. Eu sou um cara de sorte.

Depois o quadro foi se completando com muitos outros nomes na velocidade em que se ia desvelando a cidade e seus segredos. Os culinários me valeram um incremento momentâneo de dez quilos; os verbais, um espanhol que ainda derrapa, mas flui em broma e lunfardo; os cênicos, a cuidadosa construção de uma nova casa, acolhedora na sua ocasional rispidez; sem falar daqueles revelados no dia-a-dia, de uma complexidade que inevitavelmente superaram o sonho.

Desde que eu cheguei aqui, pude por exemplo trabalhar de casa (uma reivindicação antiga), ganhei uma nova profissão; já esbarrei com a própria Cristina Kirchner algumas vezes, mas também com o presidente da China, com o Putin (ao vivo, ele parece um boneco de cera); entrevistei um ex-prisioneiro de Guantánamo, um acusado de terrorismo; fui a mais protestos e marchas do que em toda a minha vida; fui escrevendo aqui um pouco de todas essas impressões e, pum!, virei blogueiro também; e me familiarizei com esse povo estranhíssimo (egocêntrico, neurótico, lunático) e adorável (emocional, original e muito, muito generoso). Escrita a tese, serei Mestre em Relações e Negociações Internacionais – embora eu já me sinta pelo menos um especialista no eixo que une o Rio a Buenos Aires.

Esse post é um agradecimento, porque se há dois anos atrás eu sentia que precisava mudar alguma coisa na minha vida, essa cidade me ajudou a mudar várias, inventar muitas, aplacar umas e remanejar outras, sempre de uma maneira livre, curiosa e feliz. Por vezes tortuosa, mas, no final das contas, inevitavelmente feliz.

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Os Melhores Hambúrgueres de Buenos Aires

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Enquanto escrevia à exaustão sobre a morte do tal Nisman, entrevistava pessoas, fazia matérias, via programas de televisão, lia sobre ele no jornal e até num livro (!), deixei transparecer meio que de brincadeira aqui minha vontade de escrever uma matéria do tipo “melhor hambúrguer da cidade” pra variar um pouco. E não é que, no meio daquela loucura, ficou complicado mesmo cozinhar em casa e eu virei, junto com meu parceiro no crime, o maior consumidor de fast food/delivery da cidade de Buenos Aires?

Agora eu tenho material para escrever sobre quase todo o tipo de porcaria que se come por essas bandas do mundo, incluindo pizzas, choripanes, milanesas à napolitana, sorvetes, mais uma porção de iguarias estranhas & cools do Palermo Hollywood e, como não?, essa maravilha calórica que é o hambúrguer.

É interessante notar que, ainda que não se trate de uma cidade com tradição nessa obra de arte do junk, como Nova York ou São Paulo, Buenos Aires larga na frente por uma questão fundamental no reino dos hambúrgueres: nos campos argentinos é produzida possivelmente a melhor carne do mundo, mesmo que ainda tenha um caminhozinho a percorrer na categoria pão (leia-se, brioche).

Então, vamos a eles!

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Sentimentos desencontrados na Marcha do Silêncio

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Ontem (18), quinze minutos antes do início da chamada Marcha do Silêncio ou #18F, desabou um aguaceiro sobre a cidade de Buenos Aires. Se o mesmo tivesse acontecido na maioria das cidades do mundo, era de se esperar um enorme fiasco: com um comparecimento que já parecia ser massivo de, em boa parte, pessoas pra lá dos cinquenta anos de idade, nessas outras cidades a rua iria se esvaziando e os tais procuradores melancolicamente caminhariam até o palácio do governo sozinho.

Mas isso não aconteceu em Buenos Aires. De repente um mar de guarda-chuvas foi se abrindo  e a chuva forte apenas deu um tom um pouco mais lúgubre àquele lamento pela morte em estranhas circunstâncias do procurador especial da causa AMIA Alberto Nisman.0000442383

Contrário ao que propunha a convocatória, entretanto, não se tratou de uma marcha silenciosa. Como no protesto realizado dias após o sinistro, os manifestantes ora batiam palmas, ora entoavam emocionados o hino argentino: uma imagem verdadeiramente tocante capaz de derrubar qualquer cinismo com relação à natureza do evento, por si só, contraditório, polêmico e alvo de tantas críticas desde organizações próximas ao governo e mesmo do Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, um costumeiro crítico da Presidenta Cristina Kirchner:

“Atrás dessa marcha vão estar oportunistas políticos que jamais defenderam os Direitos Humanos”

De acordo com a amiga Vera Pérez Guarnieri, que se aventurou comigo debaixo do temporal durante a cobertura do evento, aqueles senhorinhos e senhorinhas que se aboletavam debaixo do guarda-chuva tinham um motivo especial para estar lá. “Eles se lembram de um tempo em que as pessoas morriam ou sumiam para aparecer tempos mais tarde como suicidas”, me contou, “têm isso muito vivo na memória”. Um senhor que eu entrevistei no meio do caminho confirmou essa tese:

“Estamos aqui para defender a democracia. Esse país já sofreu muito na ausência dela”

Todos esses aportes somados à tanta obstinação já começavam a mudar a minha opinião sobre o 18F, que eu havia expressado aqui um dia antes, quando alguns dados foram caindo de pouco em pouco para, na verdade, reforçá-la e, ainda assim, dar àqueles senhorinhos e senhorinhas um caráter ainda mais melancólico. Vamos a eles.

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