Ah, o exílio

1511873_10152513890797576_362460363_o

Faz uns três meses, entrevistei um ex-General da época da ditadura aqui na Argentina. Fui encontrá-lo em um café em Belgrano e, quem o via ali sentado, podia perfeitamente se confundir com um velhinho qualquer. Um amor, uma doçura. Quando se deu conta de que eu era brasileiro, começou a me perguntar o nome de alguns outros cariocas conhecidos para ver se havia alguma coincidência. “Gente muito boa, muito cheia de princípios”, dizia – e como eu poderia duvidar se eram amigos daquela simpatia?

Foi só depois quando a conversa se desenvolveu que eu comecei a visualizar quem seria essa galera que, muito provavelmente, comigo só compartilhava a cidade mesmo; pois o tal general me contou algumas das maiores barbaridades que eu já ouvi na vida assim ao vivo.

Desaparecidos durante a ditadura? “Invencionismo! Eles eram guerrilheiros que morreram em combate”. Mas e os bebês que foram forçados a adoção e que estavam aparecendo nos últimos anos? “Uma farsa também. Essas Avós da Praça de Maio são uma máfia, elas alugam netos de mentirinha para construir esse relato midiático e para que o Estado lhes pague indenizações milionárias”. Para ele, esse papo de direitos humanos era parte de uma conspiração internacional, capitaneada pela Inglaterra, para debilitar a Argentina.

Saí de lá cabisbaixo e com uma sensação de impotência. Por que não fui capaz de interromper a entrevista e me mandar dali, ao invés de, como fiz, levantar o cenho e fazer cara de interessante só pra esperar acabar? Profissionalismo? Resignação? Naquela noite assisti, novamente, esse filme recente sobre a Hannah Arendt pra relembrar aquele conceito da ‘banalidade do mal’, já que acabara de ter a oportunidade de testemunhá-lo tão próximo.

O mal é político e histórico: é produzido por homens e se manifesta apenas onde encontra espaço institucional para isso. A trivialização da violência corresponde ao vazio do pensamento, onde a banalidade do mal se instala.

“Peralá…”, me detive. Não teria sido preciso entrevistar a um criminoso como aquele para fazer esse tipo de associação.

Continuar lendo

O polêmico tema da maioridade penal em nossos vizinhos

noalabaja

O espinhoso tema da maioridade penal não é exclusivo do Brasil, nem muito menos da América do Sul. Em diversos países do mundo ele às vezes volta ao debate, em geral, estimulado por aqueles que desejam baixar os limites para que gente mais jovem possa ser presa caso cometa algum crime. Entretanto, dada as condições não apenas socioeconômicas quanto, numa visão mais ampla, de estrutura histórica e social, é no Brasil e em nossos vizinhos que a discussão não envolve uma dimensão legislativa sobre o que é ser sujeito de direito penal, civil, eleitoral, etc – mas, sim, uma grita cheia de ódio e preconceitos que, no fundo, tem sede de vingança.

No Uruguai, o tema teve um desfecho através da discutível ferramenta do plebiscito. Na Argentina, segue a polêmica. Será que dá pra refletir um pouco sobre a realidade brasileira espelhando-se no caso dos vizinhos?

Continuar lendo

A Argentinização do Brasil

BRARG 2

Ontem (13) no Brasil foi dia de manifestações de apoio ao governo de Dilma Rousseff. Debilitado por uma chuva de denúncias, por uma economia trôpega e, ainda, por uma dificuldade de comunicar-se (ao menos, com uma determinada parcela da população), o PT logrou levar um número X de pessoas a pontos-chave de diversas capitais do país para reagir à imolação do Judas que vem sofrendo pelo menos desde a posse da Presidenta.

Na redes sociais, a hashtag #Dia13DiadeLuta vinha acompanhada de imagens de uma onda vermelha entusiasmada e confiante. O perfil de Alexandre Padilha, candidato petista derrotado ao governo de São Paulo na eleições de 2015, falava de pelo menos 50 mil pessoas na Avenida Paulista; mas sugeria que o número poderia chegar até a casa dos 100 mil. No Rio de Janeiro, a imagem da emblemática Cinelândia lotada também dava conta de asseverar: o ato foi um verdadeiro sucesso!

Entretanto, não se tratou de uma interpretação unânime. Para o jornal O Globo, foram mil pessoas no Rio, 12 mil em São Paulo – ao redor de 33 mil em 24 capitais. Ou seja, uma média de 24 estádios vazios no país inteiro em que, de acordo com a Folha, se defendeu Dilma e se criticou o governo (?!). Essas manchetes vieram acompanhadas de dados contundentes sobre o que virá amanhã (15), quando será a vez dos insatisfeitos: 15 mil policiais serão recrutados, a estrela máxima do pop nacional Wanessa Camargo cantará o hino nacional, possivelmente acompanhada do craque Ronaldinho Fenômeno. Se tudo der certo, o #15deMarco será uma versão elevada à potência do “surpreendente” panelaço do domingo passado.

Sim, estamos falando do mesmo panelaço que, de acordo com alguns blogs afins do governo, só foi escutado no créme-de-la-créme da alta sociedade paulista e carioca.

Se você fizer uma retrospectiva dos posts desse Passa em Buenos Aires em que cobri a situação política da Argentina, verá que em diversos momentos demonstrei o meu desconcerto pelas duas versões de país diametralmente opostas apresentadas de um lado pela dupla dinâmica Clarín e La Nación e, de outro, pela Telam (agência oficial de notícias), Página/12 e mais uma tropa de anões obstinados.

Continuar lendo

Justiça para os desaparecidos: lá e cá

dictadura_militar_argentina_24mar

O 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, pode ganhar ainda mais substância com dois acontecimentos, um no Brasil e outro na Argentina: no primeiro, finalmente o país ganhou um relatório com as conclusões da Comissão da Verdade sobre violações cometidas entre 1946 e 1984, sobretudo durante a Ditadura Civil-Militar iniciada em 1984; enquanto no segundo, o ex-tenente Ernesto Barreiro quebrou o chamado Pacto de Silêncio entre os militares indiciados por crimes de lesa-humanidade e indicou locais de sepultamento ilegal dos desaparecidos da ditadura argentina entre 1978 e 1983.

No entanto, como a maioria dos feitos nessa seara, ainda é cedo para comemorar. A data é celebrada pois foi quando, em 1948, todos os países do mundo assinaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Também é lembrada porque, 38 anos depois, a mesma ONU proibiu a tortura em uma convenção que teve especial significado para os países da América Latina ainda em processo de redemocratização. Embora sejam inegáveis os avanços que os dois documentos representaram, também é desolador perceber como a maioria dos países do mundo seguem cometendo graves violações, como fomos relembrados na última semana através de um informe do Congresso dos Estados Unidos sobre aquelas cometidas pela CIA desde os atentados ao World Trade Center.

Continuar lendo

O Uruguai de Mujica

presidentes_de_latinoamerica._mujica

Se houvesse uma pesquisa no exterior, não daria n’outra. O atual presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica ganharia qualquer eleição, em qualquer país. Alçado à condição de pop star da esquerda mundial, angariou a admiração de gregos e troianos ao redor do mundo com declarações cheias de sinceridade e poucas papas na língua e com ousadias que colocaram o pequeno Uruguai no mapa-mundi.

Continuar lendo

Briefing: Oposição fraca, um traço comum

1113_cacerolazo_13n_dyn_g5.jpg_1853027552

 

Menos de duas semanas depois do tão-falado protesto pedindo o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff em São Paulo, as ruas do centro da capital argentina foram tomadas por manifestantes com bandeiras parecidas (tomadas talvez parcialmente, os números são conflitantes).

Aqui ninguém se arrisca a pedir uma intervenção militar. Entendo que, além dos números da ditadura local serem ainda mais assustadores que os da contraparte brasileira, os processos contra os criminosos do regime e suas condenações ajudaram a consolidar um sentimento comum de repúdio baseado na memória. Odeio hashtags, mas #ficaadica.

Entretanto, de resto, em quase tudo as reivindicações ouvidas no Microcentro na quinta passada se assemelham às da Avenida Paulista. Conhecida como 13N, com referência à data 13 de novembro, a marcha tentou repetir a mobilização que marcou o 8N em 8 de novembro de 2012, quando uma multidão foi ao Obelisco vociferar contra o governo de Cristina Kirchner.

8N

8N, manifestação no fim de 2012

Na época, estavam começando a ser implementadas as medidas heterodoxas pelas quais a Presidenta será lembrada, como o cepo cambiario, que feriu de morte o hábito local de economizar em moeda estrangeira. Mas dessa vez, embora não menos sérias, as bandeiras dos opositores não conseguiram atrair a multidão da foto ao lado, talvez porque corrupção e insegurança sejam percebidos como um traço menos diretamente relacionado à gestão de Cristina do que à cultura política local e à realidade, respectivamente.

Organizado nas redes sociais, o protesto causou polêmica ainda na sua gestação, porque militantes pró-governo iniciaram uma contraofensiva virtual em que se divulgava que o evento havia sido cancelado. Rapidamente, a hashtag #13NSuspendido ganhou quase tanta evidência quanto o #13N, despertando uma calorosa troca de acusações e ironias no Twitter e no Facebook.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Na manhã de quinta, o porta-voz do governo Jorge Capitanich fez referências à manifestação durante sua habitual entrevista coletiva, pedindo respeito às instituições. Para ele, os cidadãos deveriam expressas suas diferenças políticas com o governo nas eleições  de 2015:

“Na democracia todos têm o direito de se expressar, mas sobretudo através das eleições. Todos terão a possibilidade de participar das PASO (primárias) em agosto que vem e nas eleições gerais em outubro”

A manifestação contou com a solidariedade de brasileiros no Twitter que já estavam convocando outros atos em São Paulo para 15 de novembro, dia da Proclamação da República no Brasil.

Captura de Tela 2014-11-13 às 21.10.01

De fato, existem mais semelhanças entre os movimentos na Argentina e no Brasil do que podem sugerir as aproximações temáticas. Tanto lá quanto aqui as impressionantes desigualdades sociais vem se reproduzindo nos regimes democráticos através das urnas, fazendo com que as bandeiras das classes mais abastadas e as dos setores populares de modo geral se alinhem a posições políticas radicalmente opostas.  Dessa maneira, ao menos um dos grupos se sente irremediavelmente não-representado.

Tanto no Brasil quanto na Argentina (mais no último), a oposição tem se mostrado incapaz de responder à essa crise de representação. Embora a contundente votação de Aécio Neves nas últimas eleições possa sugerir o contrário e os discursos imediatamente posteriores a ela possam indicar uma mudança no quadro brasileiro, é irrefutável que a oposição teve um papel pouco expressivo no Congresso, capitalizando apenas algumas vitórias no Poder Legislativo, como a revogação da CPMF (discutivelmente popular) ou a CPI da Petrobras (muito recente).

Devo acrescentar o fato de que na Argentina não há um PMDB, como muito bem lembrado pelo cientista político Alberto Carlos Almeida no Manhattan Connection a partir do minuto 11 do vídeo (por favor, desconsidere as afirmações estapafúrdias e racistas de Diogo Mainardi. Gracias!):

Nesse cenário, a oposição argentina teve ainda menos vitórias no Congresso daqui, o que talvez explique a ausência de um verdadeiro candidato desse campo político no país. Como já escrevi anteriormente, um dos favoritos para o próximo pleito é Daniel Scioli do partido do governo e o segundo colocado é Sérgio Massa, um dissidente não necessariamente ligado àquelas pessoas que compareceram no 13N.

No mais, a semana transcorreu com a fugaz apreciação do peso na cotação blue, o que como eu contei faz pouco, deixou os brasileiros que moram por aqui de cabelo em pé. Resultado de uma mega operação da autoridade fiscal argentina (a AFIP), o destino do câmbio ainda está incerto, embora o Presidente do Banco Central tenha descartado a suspensão das restrições à compra de dólares. O negócio vai ser esperar.

Com Cristina afastada do trabalho por problemas de saúde, coube à Axel Kicillof o papel de representante da Argentina no encontro do G20 na Austrália. E ele não perderia a oportunidade de pedir “apoio total ao país na reestruturação de sua dívida”. Ainda não sabemos bem o que foi conversado por lá, mas Axel parecia bastante confiante na foto que tirou com outros Chefes de Governo e/ou seus representantes.

Captura de Tela 2014-11-15 às 15.25.08

Até semana que vem!

O que está acontecendo com o câmbio?

nota-de-cem

Nos últimos dias, os brasileiros que vivem em Buenos Aires ficaram de cabelo em pé, pois de repente o Real foi perdendo valor de maneira vertiginosa. Se em 30 de outubro mil reais compravam AR$ 5.500,00 no mercado informal, hoje (11/11), com sorte, compram AR$ 4.560,00. Ou seja, uma queda de cerca de 20% em apenas duas semanas.

Como mil pesos aqui é coisa pra caramba, sobretudo para aqueles estudantes que se equilibram com o que os pais mandam ou que se habituaram a fazer o câmbio das economias de pouco a pouco para enfrentar a inflação, todo mundo está precisando refazer as contas e repensar o orçamento. Mas será que essa é uma realidade que veio pra ficar?

Continuar lendo

Eleições na América do Sul confirmam a esquerda no poder, mas com ressalvas

nuestro_norte_es_el_sur_by_ailanista-d7p6qdq

 

Em março de 2014, Michele Bachelet voltou ao poder no Chile prometendo democratizar a educação do país – uma bandeira que sacudia as ruas das maiores cidades do país. Ela estava abrindo um novo round eleitoral no subcontinente em que o modelo dos chamados governos progressistas foi questionado, em diferentes medidas, de país a país. Depois foi a vez de Evo Morales na Bolívia que, com folga, foi eleito para um terceiro mandato no país andino, seguida do Brasil e Uruguai no último domingo.

Continuar lendo

Quem será o próximo? O Mapa Eleitoral da Argentina para 2015

1477653_10152420034922576_247151389_n

(((Para informações mais atualizadas, clique aqui)))

Enquanto o Brasil discute essa semana quem estará à frente da presidência no próximo quadriênio, a Argentina se prepara para um dos maiores pleitos em 2015. Trata-se de um processo eleitoral emblemático.

Ao sabor da redemocratização, suas primeiras edições, em 1983 e 1989, foram marcadas pela excessão: o radical Raúl Afonsín é eleito na transição na transição de uma das mais brutais ditaduras e tem seu mandato abreviado por turbulências econômicas para ser substituído por Carlos Menem, que ficaria no poder por dez anos.

Na sequência, volta o radicalismo nas mãos de Fernando de la Rúa que, com dois anos de governo, enfrenta uma imensa crise econômica, institucional, política e por aí segue. Sai fugido da Casa Rosada de helicóptero, fechando o seu governo com a pérola:

“¡Que se vayan todos!”

Antes de que Nestor Kirchner finalmente chegue à presidência, passam por lá sem esquentar a cadeira três criaturas que sucumbem sucessivamente. Assim, se inaugura o período K, por alguns chamada de “la década ganada“, por outros de “la otra década perdida“.

Nestor conseguiu eleger a esposa por capitalizar a normalização do país; Cristina conseguiu se reeleger capitalizando a retomada do crescimento e a geração de empregos. Entretanto, seu segundo mandato foi um período de radicalização do modelo, com enfrentamento aberto contra a mídia conservadora e os fundos abutres (só para ficar nos casos mais óbvios) e a introdução de medidas heterodoxas contra os revezes econômicos do país, como as restrições à compra de dólares e às importações, além de controle de preços, sem que isso impedisse taxas de inflação que deixam os argentinos de cabelo em pé.

Assim, o pleito de 2015 será também um grande plebiscito referente ao modelo que terá como pano de fundo a radicalização, porque nesse país não existem tons de cinza – para alguns, o kirchnerismo foi uma tragédia; para outros, uma redenção.

Nesse marco, se apresentam pelo menos quatro forças políticas, a saber:

Frente para la Victoria (FpV)

fpvO Kirchnerismo logrou formar uma base sólida no Congresso Nacional que consegue aprovar qualquer projeto do governo sem contratempos, o que favoreceu ao aprofundamento do modelo. O projeto inicial era lançar Amado Boudou para a sucessão, uma fórmula que acabou sendo enfraquecida pelas numerosas suspeitas de corrupção que correm na justiça. Desde então, se apresentaram o atual Chefe de Gabinete Jorge Capitanich (equivalente à nossa Casa Civil), o Ministro do Interior Florencio Randazzo, o governador da Província de Buenos Aires Daniel Scioli e, mais recentemente, o Ministro da Economia Axel Kicillof.

Desses, o único com projeção nacional é Scioli que, entretanto, é o representante mais ‘rebelde’ do kirchnerismo, já que tem claras intenções de alçar voo solo. Nos últimos dias, se reaproximou de seu partido, fazendo coro aos apoiadores da presidenta, mas ainda gera incertezas no núcleo duro do modelo.

Assim, a escolha ainda está indefinida

Frente Renovador

Sergio-Massa-elecciones-2013-2015A maior dissidência do FpV foi liderada pelo político bonaerense Sérgio Massa, ex-Chefe de Gabinete e atual deputado federal. Acusado de oportunista, desbancou os kirchneristas nas eleições legislativas de 2013 e propõe ajustes firmes no modelo, sem, entretanto, especificar quais ajustes seriam estes. Como força no maior colégio eleitoral do país, a Província de Buenos Aires, tem pouca experiência administrativa (foi apenas prefeito da pequena municipalidade de Tigre).

Frente UNEN

sanzNum evento espetacular em meados desse ano, foi lançada a Frente UNEN, uma coalizão de tradicionais forças políticas de centro-esquerda como Elisa Carrió, Pino Solanas, os dissidentes Prat-Gay e Martín Lousteau. Além do combate à inflação, prometem dirimir a “herança perversa” da corrupção”. Seu maior expoente para a candidatura presendencial é Ernesto Sanz, um membro tradicional da UCR.

Pesa contra a Frente UNEN a pouca homogeneidade do bloco, que desde já vem apresentando fissuras e o fato de que os últimos presidentes de sua maior força política (a UCR de Raúl Alfonsín y De la Rúa) nunca terminaram seus mandatos.

PRO

Mauricio-Macri-PPO partido criado pelo Chefe de Governo da capital argentina Maurício Macri é, sem dúvida, a oposição frontal ao governo de Cristina Kirchner. Odiado pelos movimentos sociais em Buenos Aires, por suas políticas na educação e duras remoções, realizou uma boa gestão no campo dos transportes com a criação do Metrobus e das ciclovias, além de ter comandado a revitalização de áreas como Barracas (ainda em processo).

Pela pouca projeção nacional, dificilmente conseguirá vencer sozinho e, por isso, vem tentando se aproximar de lideranças da Frente UNEN ou da Frente Renovador, embora seu caráter neoliberal tenha grande rejeição nesses agrupamentos.

Frente de Izquierda

pitrolaDefensores de reformas mais profundas das que realizaram os kirchneristas, associam Cristina ao mercado financeiro e a acusam de não prestar atenção suficiente às demandas dos trabalhadores. Exigem o fim do pagamento da dívida externa até que se resolva a chamada “dívida social pendente”. Ainda não sinalizaram com um candidato para o pleito de 2015, mas têm no ex-piqueteiro Nestor Pitrola uma de suas maiores lideranças.

Naturalmente, ainda não existem nem candidaturas oficializadas nem pesquisas eleitorais, mas a corrida já começou. Pesquisas informais e internas do partido oficialista revelam que cerca de 30% dos apoiadores de Cristina (o chamado ‘núcleo duro’) votariam em qualquer candidato que ela apoiasse; entretanto, um em cada dez desses eleitores confessou que poderia optar por Massa de acordo com a situação.

Os especialistas daqui dizem que os resultados das eleições no Brasil terão um grande impacto por aqui. De acordo com o especialista Julio Gambina, “o Brasil está nos planos de todos os candidatos”, embora não esteja claro para que objetivo. “Uma integração Brasil-Argentina deve ser crítica à hegemonia capitalista internacional”.