O Brasil balança, a Argentina teme

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Poucos sabem realmente das internas da viagem de Cristina ao Brasil para a reunião da Cúpula do Mercosul no início do mês. Sabemos da foto os bichinhos do Rio 2016 e daquele vídeo em que Dilma prestou uma homenagem à “querida amiga e Presidenta”.

Naturalmente, dá vontade danada de imaginar uma conversa entre as duas, como possivelmente já fizeram Dilma Bolada e aquela da revista Piauí (será que ainda existe?), quando, seguramente, elas trocaram algumas confidências sobre tentativas de impeachment, investigações polêmicas, perseguição da mídia e traições, entre outras amenidades.

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Algo habrán hecho

Acto apoyo a Cristina

Ninguém sabe muito bem o que será de Cristina quando ela deixar o poder. Seus seguidores mais firmes já lhe deram a conducción do peronismo – uma espécie de ‘líder espiritual’ do movimento que não tem paralelo na política brasileira. Já seus opositores esperam ir à forra depois de dezembro, levando adiante causas judiciais contra ela e sua família, como a do famoso e suposto caso de lavagem de dinheiro no resort de sua propriedade em El Calafate, o Hotesur. Existe o risco também do chamado ‘fogo amigo’, já que não é segredo que seu candidato à presidência Daniel Scioli não é um de seus fieis escudeiros e, para brilhar sozinho, poderia pelo menos lavar às mãos diante de um judiciário hostil à atual Presidenta.

No entanto, o fato é que Cristina Kirchner deixa o poder com uma popularidade recorde desde a volta da Argentina à democracia, tendo a frente uma oposição política fragmentada e monopólios midiáticos que, embora mantenham uma artilharia pesada e permanente contra ela, impossibilitados de mudar o quadro. Além disso, pese alguns revezes econômicos que ocorreram desde o início do seu governo, pode-se dizer que a situação se estabilizou nos últimos seis meses, mesmo com a insistência de um front internacional poderoso contra o seu governo.

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Ah, o exílio

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Faz uns três meses, entrevistei um ex-General da época da ditadura aqui na Argentina. Fui encontrá-lo em um café em Belgrano e, quem o via ali sentado, podia perfeitamente se confundir com um velhinho qualquer. Um amor, uma doçura. Quando se deu conta de que eu era brasileiro, começou a me perguntar o nome de alguns outros cariocas conhecidos para ver se havia alguma coincidência. “Gente muito boa, muito cheia de princípios”, dizia – e como eu poderia duvidar se eram amigos daquela simpatia?

Foi só depois quando a conversa se desenvolveu que eu comecei a visualizar quem seria essa galera que, muito provavelmente, comigo só compartilhava a cidade mesmo; pois o tal general me contou algumas das maiores barbaridades que eu já ouvi na vida assim ao vivo.

Desaparecidos durante a ditadura? “Invencionismo! Eles eram guerrilheiros que morreram em combate”. Mas e os bebês que foram forçados a adoção e que estavam aparecendo nos últimos anos? “Uma farsa também. Essas Avós da Praça de Maio são uma máfia, elas alugam netos de mentirinha para construir esse relato midiático e para que o Estado lhes pague indenizações milionárias”. Para ele, esse papo de direitos humanos era parte de uma conspiração internacional, capitaneada pela Inglaterra, para debilitar a Argentina.

Saí de lá cabisbaixo e com uma sensação de impotência. Por que não fui capaz de interromper a entrevista e me mandar dali, ao invés de, como fiz, levantar o cenho e fazer cara de interessante só pra esperar acabar? Profissionalismo? Resignação? Naquela noite assisti, novamente, esse filme recente sobre a Hannah Arendt pra relembrar aquele conceito da ‘banalidade do mal’, já que acabara de ter a oportunidade de testemunhá-lo tão próximo.

O mal é político e histórico: é produzido por homens e se manifesta apenas onde encontra espaço institucional para isso. A trivialização da violência corresponde ao vazio do pensamento, onde a banalidade do mal se instala.

“Peralá…”, me detive. Não teria sido preciso entrevistar a um criminoso como aquele para fazer esse tipo de associação.

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Os Supervisores

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Era uma vez um país da América do Sul em que, depois de anos de governos neo-liberais, elegeu uma liderança de esquerda. Os anos foram passando e vários coleguinhas na vizinhança foram aparecendo e, com a ajuda de um longínquo e voraz companheiro de olhinhos puxados em acelerada fase de crescimento somada a uma crise generalizada entre os ricos primos do norte, nossa liderança de esquerda e seus amigos conseguiram a façanha de enriquecer sem concentrar muito.

De repente, nos idos de 2009, enquanto o resto do mundo parecia um verdadeiro desastre, a imensa península sul-americana se apresentava como o futuro mesmo. Desassossegados intelectuais do norte olhavam para cá embasbacados: Jim O’Neill metia o Brasil no BRIC, Oliver Stone fazia um documentário sobre Chávez, Joseph Stiglitz saudava a maneira argentina de enfrentar crises, os exemplos seguem.

Obviamente, tudo isso se dava sem que perdêssemos completamente o charme de Macondo. Exóticos, indígenas, negros, com elites cuspindo fogo nos editoriais dos próprios meios de comunicação, sem, no entanto, serem capazes de enfrentar os números: crescíamos a quase 6%, as vendedoras do Bloomingdale’s estavam aprendendo português, a Venezuela estava com tanta grana que se dava ao luxo de criar uma rede de TV para dar “a nossa versão do mundo”.

Mas em algum momento os mandatos daqueles líderes de esquerda tinham que terminar – a pátina final de toda a maravilha sul-americana era a democracia -, de modo que havia dois caminhos a seguir: lançar mão de toda aquela popularidade e mudar a Constituição para extender indefinidamente seus mandatos ou eleger um sucessor. Nosso país optou pelo segundo.

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A Argentinização do Brasil

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Ontem (13) no Brasil foi dia de manifestações de apoio ao governo de Dilma Rousseff. Debilitado por uma chuva de denúncias, por uma economia trôpega e, ainda, por uma dificuldade de comunicar-se (ao menos, com uma determinada parcela da população), o PT logrou levar um número X de pessoas a pontos-chave de diversas capitais do país para reagir à imolação do Judas que vem sofrendo pelo menos desde a posse da Presidenta.

Na redes sociais, a hashtag #Dia13DiadeLuta vinha acompanhada de imagens de uma onda vermelha entusiasmada e confiante. O perfil de Alexandre Padilha, candidato petista derrotado ao governo de São Paulo na eleições de 2015, falava de pelo menos 50 mil pessoas na Avenida Paulista; mas sugeria que o número poderia chegar até a casa dos 100 mil. No Rio de Janeiro, a imagem da emblemática Cinelândia lotada também dava conta de asseverar: o ato foi um verdadeiro sucesso!

Entretanto, não se tratou de uma interpretação unânime. Para o jornal O Globo, foram mil pessoas no Rio, 12 mil em São Paulo – ao redor de 33 mil em 24 capitais. Ou seja, uma média de 24 estádios vazios no país inteiro em que, de acordo com a Folha, se defendeu Dilma e se criticou o governo (?!). Essas manchetes vieram acompanhadas de dados contundentes sobre o que virá amanhã (15), quando será a vez dos insatisfeitos: 15 mil policiais serão recrutados, a estrela máxima do pop nacional Wanessa Camargo cantará o hino nacional, possivelmente acompanhada do craque Ronaldinho Fenômeno. Se tudo der certo, o #15deMarco será uma versão elevada à potência do “surpreendente” panelaço do domingo passado.

Sim, estamos falando do mesmo panelaço que, de acordo com alguns blogs afins do governo, só foi escutado no créme-de-la-créme da alta sociedade paulista e carioca.

Se você fizer uma retrospectiva dos posts desse Passa em Buenos Aires em que cobri a situação política da Argentina, verá que em diversos momentos demonstrei o meu desconcerto pelas duas versões de país diametralmente opostas apresentadas de um lado pela dupla dinâmica Clarín e La Nación e, de outro, pela Telam (agência oficial de notícias), Página/12 e mais uma tropa de anões obstinados.

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Justiça para os desaparecidos: lá e cá

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O 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, pode ganhar ainda mais substância com dois acontecimentos, um no Brasil e outro na Argentina: no primeiro, finalmente o país ganhou um relatório com as conclusões da Comissão da Verdade sobre violações cometidas entre 1946 e 1984, sobretudo durante a Ditadura Civil-Militar iniciada em 1984; enquanto no segundo, o ex-tenente Ernesto Barreiro quebrou o chamado Pacto de Silêncio entre os militares indiciados por crimes de lesa-humanidade e indicou locais de sepultamento ilegal dos desaparecidos da ditadura argentina entre 1978 e 1983.

No entanto, como a maioria dos feitos nessa seara, ainda é cedo para comemorar. A data é celebrada pois foi quando, em 1948, todos os países do mundo assinaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Também é lembrada porque, 38 anos depois, a mesma ONU proibiu a tortura em uma convenção que teve especial significado para os países da América Latina ainda em processo de redemocratização. Embora sejam inegáveis os avanços que os dois documentos representaram, também é desolador perceber como a maioria dos países do mundo seguem cometendo graves violações, como fomos relembrados na última semana através de um informe do Congresso dos Estados Unidos sobre aquelas cometidas pela CIA desde os atentados ao World Trade Center.

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O que está acontecendo com o câmbio?

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Nos últimos dias, os brasileiros que vivem em Buenos Aires ficaram de cabelo em pé, pois de repente o Real foi perdendo valor de maneira vertiginosa. Se em 30 de outubro mil reais compravam AR$ 5.500,00 no mercado informal, hoje (11/11), com sorte, compram AR$ 4.560,00. Ou seja, uma queda de cerca de 20% em apenas duas semanas.

Como mil pesos aqui é coisa pra caramba, sobretudo para aqueles estudantes que se equilibram com o que os pais mandam ou que se habituaram a fazer o câmbio das economias de pouco a pouco para enfrentar a inflação, todo mundo está precisando refazer as contas e repensar o orçamento. Mas será que essa é uma realidade que veio pra ficar?

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Eleições na América do Sul confirmam a esquerda no poder, mas com ressalvas

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Em março de 2014, Michele Bachelet voltou ao poder no Chile prometendo democratizar a educação do país – uma bandeira que sacudia as ruas das maiores cidades do país. Ela estava abrindo um novo round eleitoral no subcontinente em que o modelo dos chamados governos progressistas foi questionado, em diferentes medidas, de país a país. Depois foi a vez de Evo Morales na Bolívia que, com folga, foi eleito para um terceiro mandato no país andino, seguida do Brasil e Uruguai no último domingo.

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Briefing: O Inimigo?

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A segunda-feira nem bem dava as caras direito e mais um quilombo se armava na Argentina, já que a edição do Clarín trazia uma entrevista do Encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires Kevin Sullivan em que, com bastante desenvoltura, desvelou muitas opiniões sobre o conflito da Argentina com os tais fundos abutres.

Atualmente desempenhando o cargo de representante máximo dos EUA por aqui, já que Washington tarda em nomear um embaixador (dizem que é retaliação), Sullivan afirmou que seu país “não apoiará o debate nas Nações Unidas porque não [lhes] parece o âmbito para encontrar uma solução eficiente”, e também porque “o mecanismo criaria incertezas”.

Nenhuma novidade. Desde que a Argentina decidiu levar aos órgãos multilaterais a questão da restruturação das dívidas soberanas como a OEA e a ONU, sempre angariando o apoio da maioria, os Estados Unidos votaram contra.

Mas ele não parou por aí e mencionou uma palavrinha que provocou a ira do governo argentino:

“É importante que a Argentina saia do default o quanto antes para poder retornar ao caminho do crescimento econômico sustentável e atrair os investimentos de que necessita”

Foi a primeira vez que um funcionário do governo dos Estados Unidos falou em default, mesmo que a Argentina venha questionando essa situação. Na lógica da Casa Rosada, se o país tem dinheiro para pagar, realizou o pagamento e teve o depósito bloqueado no Banco de Nova York por uma decisão de um juiz americano, isso não se caracterizaria como um default, senão um problema técnico da praça financeira estadunidense.

Em dura nota emitida no dia seguinte, a Chancelaria afirmou que:

“[As palavras do diplomata] não têm nenhum valor fatídico e, sim, coincidem com a postura dos fundos abutres em contraposição aos interesses dos 92,4% de credores que aceitaram a restruturação da dívida”.

De acordo com o governo, o país tanto tem fundos e vontades de realizar seus pagamentos que aprovou no Congresso a chamada Lei do Pagamento Soberano da Dívida Externa para driblar os problemas técnicos da praça financeira de Nova York.

Prosseguindo, a nota afirma que a Argentina deplora (palavra fortíssima nos meios diplomáticos) que os EUA não tenham aceito a jurisdição da Corte Internacional de Haia para resolver a questão “segundo critérios legais, equitativos e justos” com juízes independentes; e provocou:

“Os EUA tampouco aceitam a jurisdição da Corte Inter-americana e da Corte Penal Internacional em temas vinculados aos direitos humanos”

Por fim, ameaçou com as mais severas medidas se “esse tipo de intromissão nos assuntos internos” voltarem a se repetir, lembrando que a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

De fato, é pouco comum ver entrevistas de diplomatas em jornais do país onde estão em serviço (sobretudo um jornal claramente de oposição) dando recomendações dessa natureza (sobretudo num tema tão sensível na agenda bilateral), pois influenciar a opinião pública local pode ser considerado uma intromissão em assuntos internos.

Para os críticos do governo, trata-se de mais um capítulo na tendência ao conflito do governo de Cristina Kirchner. Em entrevista ao Infobae, o ex-Vice-Chanceler Andrés Cisneros analisou a questão:

“A declaração de Sullivan não contém uma receita ou indicação de uma maneira em que o país estrangeiro pretenda nos ‘ensinar’ como exercer nossa soberania. Ele simplesmente enuncia um desejo de boa vontade com o qual é difícil não coincidir: sair do default, o que é o objetivo de todos os argentinos. (…) É preciso evitar que um caso como este se converta em outro ‘mini-round’ de um ‘Braden-Perón’ artificialmente criado”

Ele se referia à histórica disputa entre o Presidente argentino e o diplomata estadunidense Spruille Braden, que, na ‘defesa dos interesses daquele país’, não economizou intromissões e conspirações contra o governo.

No diário La Nación, o colunista Martín Dinatale cunhou a atitude do Palácio San Martin (sede da Chancelaria argentina) de “a diplomacia da sobreatuação”:

“Será que Cristina não aprendeu suficientemente aquela frase de Perón que dizia que ‘do ridículo não se retorna’? A diplomacia argentina liderada pelo kirchnerismo faz tempo é regida pelas normas da política doméstica. Os gestos externos são dirigidos ao público local.”

Mas o governo não terminou por aí. Na quarta-feira, em entrevista à uma radio, o Ministro da Economia afirmou que as declarações de Sullivan e a desvalorização da cotação paralela da moeda (o chamado dólar blue) não são coincidências, mas fazem parte de um plano de cinco pontos elaborado pelos fundos abutres para desestabilizar a Argentina. Seriam eles:

  1. Atacar a moeda para forçar a desvalorização
  2. Atacar a pessoa da Presidenta
  3. Impedir o pagamento local da dívida nos próximos vencimentos
  4. Bloquear o financiamento do país
  5. Esperar 2016 (quando o país terá um novo mandatário)

E, por fim, ontem a Presidenta Cristina relacionou a limitação na venda de passagens da American Airlines com esse suposto ataque ao governo e ao país.

Essa semana, a companhia aérea estadunidense restringiu a compra de suas passagens a 90 dias de prazo – ou seja, um argentino atualmente não pode comprar uma passagem para Miami com data de janeiro de 2015. De acordo com o La Nación, essa medida estaria relacionada às restrições do câmbio (o chamado cepo cambiario‘), já que os operadores não querem reter pesos com medo da desvalorização.

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Em sua conta no Twitter e Facebook (a Presidenta é bastante afeita às redes sociais), Cristina disparou contra a voadora.

“Não existe nenhum tipo de restrição para o pagamento de passagens e pacotes turísticos com divisas. (…) Que não fiquem dúvidas que [eles] estão querendo gerar, através de mentiras, expectativas negativas e ataques especulativos à nossa moeda.

A presidenta também citou as declarações de Sullivan, os tais cinco pontos anteriormente citados por Kicillof e, por fim, fechou o relato com chave ouro:

“A partir de dezembro de 2013, James Albaugh, a quem não tenho o prazer de conhecer, tornou-se diretor da American Airlines. (…) Ele é o assessor principal do The Blackstone Group LP, um dos mais importantes fundos de investimento financeiros detentor de títulos da dívida argentina. Como eu digo sempre: Se joga com tudo. E na Argentina, mais do que em qualquer outro país”

Saindo um pouco desses qüiproquós entre Estados Unidos e Argentina, os analistas daqui continuam demonstrando preocupação com uma eventual vitória de Marina Silva nas eleições presidenciais brasileiras, como antecipei em artigo anterior. Em artigo para Buenos Aires Herald, Carolina Thibaud afirmou que esse resultado pode trazer consequências importantes para a América Latina e, sobretudo para a Argentina, com quem o país manteria uma “paciência estratégica”:

“A ambientalista e evangélica tem sugerido que o tempo da ‘paciência estratégica’ com a Argentina terminaria rapidamente se ela ganhasse a presidência. (…) Apesar da pressão das elites industriais do Brasil por uma postura mais dura com relação à Argentina, Rousseff tem sido discutivelmente precavida em seus negócios com Buenos Aires, ainda que o protecionismo argentino tenha muitas vezes trabalho contra a integração regional e impedido o Mercosul de avançar como bloco unificado.

“Em seu manifesto de campanha, Marina defendeu mais integração com a Aliança do Pacífico e a ideia de uma solução de duas velocidades para o Mercosul, onde o Brasil, o Uruguai e o Paraguai poderiam assinar Acordos de Livre Comércio com a União Europeia, por exemplo, mesmo se a Argentina se recusar”

No mesmo artigo, entretanto, o analista de política internacional da Universidad de San Andrés Federico Merke destacou que Marina teria uma boa relação tanto com o candidato à presidência da Argentina Mauricio Macri (conservador) e Sérgio Massa (um ex-kirchnerista arrependido):

“Os assessores da brasileira e dos dois candidatos pedem por mais liberalização”

Daí, uma pergunta não cala para mim: na visão de CFK e seus correligionários, seria Marina Silva uma candidata abutre?

Até semana que vem!